Empresarial
FerramentaCalculadora CLT ou PJ
A comparação honesta não é salário contra faturamento. É o líquido da CLT — já somados 13º, terço de férias e FGTS — contra o que sobra na PJ depois do DAS, do INSS do pró-labore e da contabilidade. Muitas vezes o resultado surpreende nos dois sentidos.
O lado CLT vale mais do que o holerite mostra
Comparar salário com faturamento é o erro que faz muita gente trocar de regime e se arrepender. O salário CLT vem acompanhado de décimo terceiro, terço de férias e FGTS, e esses três, diluídos por doze, acrescentam algo em torno de 20% ao líquido mensal.
Um salário de R$ 10.000 rende R$ 7.442 líquidos por mês. Somados o 13º líquido, o terço de férias e os depósitos de FGTS do ano, o equivalente mensal sobe para R$ 9.207.
É esse número, e não o líquido do holerite, que deve entrar na comparação.
O lado PJ, descontando tudo o que a empresa consome
Do faturamento saem o DAS do Simples, a contabilidade e o INSS de 11% sobre o pró-labore, além do imposto de renda sobre essa retirada. O que sobra é distribuído como lucro.
O anexo faz enorme diferença. Faturando R$ 13 mil, a mesma pessoa fica com R$ 11.641 no Anexo III e R$ 10.406 no Anexo V — mais de mil reais por mês de diferença, decidida apenas pelo Fator R.
Desde 2026 há um limite novo: distribuição de lucro acima de R$ 50 mil no mês, da mesma empresa para a mesma pessoa, sofre 10% de imposto na fonte — e sobre o total distribuído, não apenas sobre o que excede.
O que a conta não mede
Nenhuma planilha precifica estabilidade. Na CLT existem aviso prévio, multa de 40% do FGTS, seguro-desemprego, férias remuneradas de fato e afastamento por doença pago. Na PJ, o contrato termina quando o contratante decide, e não há verba rescisória.
Há também o risco de caracterização de vínculo. Se a relação tiver pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade, ela é de emprego, independentemente do contrato assinado — e o reconhecimento posterior costuma custar mais do que a economia de todos os meses somados.
Do lado previdenciário, quem contribui apenas sobre um pró-labore no piso constrói aposentadoria proporcional a isso. A diferença aparece décadas depois.
Exemplos com números fechados
Cada linha abaixo é o resultado real desta calculadora para o cenário descrito — os valores são gerados no build, não digitados à mão, então não têm como divergir do que a ferramenta devolve.
| Cenário | Líquido CLT por mês | Líquido PJ por mês |
|---|---|---|
| R$ 5.000 CLT contra R$ 6.000 PJ Nessa faixa a CLT ainda ganha, porque o líquido já é quase o bruto. | R$ 5.445,59 | R$ 5.061,69 |
| R$ 10.000 CLT contra R$ 13.000 PJ, Anexo III Com o Fator R atingido, a PJ abre vantagem clara. | R$ 9.207,00 | R$ 11.641,69 |
| O mesmo caso no Anexo V Sem o Fator R, o DAS quase triplica e a vantagem encolhe. | R$ 9.207,00 | R$ 10.406,69 |
| R$ 20.000 CLT contra R$ 26.000 PJ Faixa alta, com pró-labore de R$ 3.000. | R$ 18.205,61 | R$ 22.938,00 |
Perguntas frequentes
Quanto preciso faturar como PJ para empatar com meu salário CLT?
Costuma ficar entre 25% e 40% acima do salário bruto, conforme o anexo do Simples e o pró-labore. A calculadora estima esse ponto de equilíbrio a partir dos seus números.
O que a CLT tem que a PJ não tem?
13º, férias com terço, FGTS com multa de 40% na dispensa, aviso prévio, seguro-desemprego, afastamento por doença pago e estabilidades legais como a da gestante.
Quanto de pró-labore devo retirar?
Ao menos o suficiente para a contribuição previdenciária, e em serviços sujeitos ao Fator R o bastante para levar a folha a 28% da receita, quando isso compensar o imposto economizado.
Distribuição de lucro paga imposto?
A partir de 2026, sim, quando a mesma empresa paga mais de R$ 50 mil no mês à mesma pessoa física: 10% na fonte sobre o total distribuído naquele mês, não apenas sobre o excedente.
Como funciona o INSS do sócio?
O sócio que recebe pró-labore contribui como contribuinte individual, com 11% sobre a retirada, limitada ao teto. A empresa do Simples, fora o Anexo IV, não recolhe a patronal sobre isso.
Ser PJ prejudica minha aposentadoria?
Prejudica se a contribuição for sempre sobre um pró-labore no piso, porque o benefício futuro é proporcional ao que se contribuiu. Distribuição de lucro não gera contribuição previdenciária.
O que é pejotização e qual o risco?
É contratar como PJ quem trabalha como empregado. Havendo pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade, o vínculo pode ser reconhecido, com todas as verbas do período e encargos retroativos.
Quanto custa manter uma PJ?
Contabilidade mensal, DAS, taxas de abertura e alvará, e o tempo de administrar obrigações acessórias. A contabilidade é o custo fixo que mais pesa em faturamentos menores.
Qual anexo se aplica ao meu serviço?
Boa parte dos serviços fica entre o Anexo III e o Anexo V, definidos pelo Fator R. Algumas atividades, como construção civil e advocacia, têm anexo próprio, o IV.
PJ pode receber férias e 13º?
Não por lei. Se o contrato de prestação de serviços prever pagamento adicional, é cláusula contratual — e, somada a outros indícios, pode reforçar a tese de vínculo empregatício.
Vale a pena ser PJ ganhando pouco?
Em faixas mais baixas geralmente não. O líquido da CLT já é próximo do bruto por causa da isenção de imposto até R$ 5.000, e os custos fixos da PJ pesam proporcionalmente mais.
Posso ser CLT e PJ ao mesmo tempo?
Pode, desde que sejam relações distintas e não haja concorrência ou conflito com o contrato de trabalho. Prestar como PJ o mesmo serviço ao próprio empregador é o cenário de risco.
A empresa quer me transformar em PJ. Sou obrigado a aceitar?
Não. E a alteração que apenas troca o rótulo de uma relação de emprego já existente, mantidas as mesmas condições, é juridicamente frágil.
Base legal
- CLT, arts. 2º e 3º — caracterização da relação de emprego
- Lei Complementar 123/2006 — Simples Nacional e Fator R
- Lei 15.270/2025 — tributação de lucros e dividendos
Estimativa com faturamento estável, atividade única e sem despesas da empresa além da contabilidade. Não precifica estabilidade, verbas rescisórias, seguro-desemprego, cobertura previdenciária nem o risco de reconhecimento de vínculo. Decisão de regime pede análise do caso concreto. Tabelas conferidas em 08.09.2026; página atualizada em 08.09.2026.